…lembro-me de, à beira de completar o meu sexto aniversário,
entrar em casa em Alcântara, vindo não lembro bem de onde e de o meu pai com o dedo
indicador na frente dos lábios, sugerindo silêncio, sorrir para mim e
perguntar: “queres ver o mano…?”…
…eu sabia que ele devia estar a chegar brevemente, pendurado
num lençol, na ponta do bico de uma cegonha… eu bem olhava para o céu naqueles
últimos dias, mas cegonha nada… nem alguma mesmo sem bébé… aliás, só acabei por
ver a minha primeira cegonha ao vivo, alguns anos depois, quando já sabia que
os únicos bébés de que tomavam conta era os delas mesmo…
…mas pelos vistos, ela tinha já “aterrado” no quarto os meus
pais e deixado lá a sua carga…fui então até lá, conduzido pelo meu progenitor,
e vi a minha mãe debruçada sobre a cama, de costas para mim, movimentando os
braços sobre “qualquer coisa” que eu não conseguia ainda observar…
…caminhei escassos metros até ficar encostado nas pernas da
minha mãe e espreitar meio hesitante para cima da cama…e lá estava ele…com a
fralda a ser mudada, pelos motivos mais óbvios e mal-cheirosos…daí dizer, na brincadeira, que a primeira impressão que tive do meu
irmão, foi uma impressão de…merda, por assim dizer…rsrsrs
…fiquei maravilhado e
fascinado com aquele pequeno ser, então entrado na minha curta vida…eu que até
anteriormente já tinha pedido aos meus pais um mano “para jogar à bola com ele”,
mal sabendo eu que quando o fiz já ele estava “no forno”…
…e estava contente com o nome que eu tinha escolhido para
ele, talvez por, com a minha tenra idade, achar graça à fonética do mesmo…
Nuno…ou então pelo nome como ele se “auto-intitulava”, depois de uma qualquer
senhora o elogiar por ser um bébé tão lindo, longos cabelos castanhos e lhe ter
perguntado “és menino ou menina”… e ele do alto dos seus dois ou três anos:
“Não sou menino, nem menina…sou Nu….”
…este tipo de resposta pronta e outras tantas tiradas e
situações engraçadas, foram frequentes na sua infância e recordo imensas…
…e assim o “Nu” foi crescendo, de menino (ainda hoje, para
mim e para minha mãe, é o “menino”) até jovem adolescente e homem que é hoje… a
nossa diferença de idades, pode ter produzido alguma “gap” num determinado
momento da nossa vida, natural brecha de interesses diferentes e bastante
distantes, entre quem tem dezasseis anos
(eu) e o outro dez anos (ele), por exemplo… mas essa “divergência” foi
rapidamente mitigada pelo avançar dos anos e muito cedo os nossos interesses e
gostos convergiram, aliás, como quase sempre aconteceu nas nossas vidas em
comum e depois de cada um seguir a sua independência, com uma cumplicidade que
acredito ser muito própria…
…ser humano sério, ponderado, trabalhador incansável, também
emotivo, bem-humorado com sentido mordaz e caustico muitas vezes (como eu…),
amigo de quem merece e alguém para quem a família é o bem maior…
…hoje celebrou-se o dia dos irmãos…
...e eu, a propósito mas mesmo que fosse outro qualquer dia do ano, quero dizer que tenho muito amor e orgulho no meu mano...e que, volvidos todos os anos da minha vida e pesadas todas as minhas vivências, ele para além de meu irmão é certamente, senão o melhor, uns dos meus maiores e verdadeiros amigos...
...grande abraço, puto...
‘’Blood Brothers” – Bruce Springsteen
(recorded live in Perth Arena – Perth, Australia – 22-01-2017)
We played king of the mountain,
out on the end.
The world come chargin' up the hill,
and we were women and men.
Now there's so much that time,
time and memory fades away.
We've got our own roads to ride,
and chances we got to take.
We stood side by side,
each one fightin' for the other.
We swore until we died,
we'd always be,
blood brothers.
Now the hardness of this world,
slowly grinds your dreams away.
Makin' a fool's joke,
out of the promises we made.
And what once seemed black and white,
turns to so many shades of gray.
We lose ourselves in work to do,
work to do and bills to pay.
And it's a ride, ride, ride,
and there ain't much cover.
With no one runnin' by your side,
my blood brother.
On through the houses of the dead,
past those fallen in their tracks.
Always movin' ahead,
and never lookin' back.
Now I'm out here on this road,
alone on this road tonight.
I close my eyes and feel so many friends around me,
in the early evening light.
In the miles we have come,
in the battles won and lost,
are just so many roads travelled,
so many rivers crossed.
Now I ask God for the strength,
and faith in one another.
'cos it's a good night for a ride,
cross this river to the other side,
my blood brother...
out on the end.
The world come chargin' up the hill,
and we were women and men.
Now there's so much that time,
time and memory fades away.
We've got our own roads to ride,
and chances we got to take.
We stood side by side,
each one fightin' for the other.
We swore until we died,
we'd always be,
blood brothers.
Now the hardness of this world,
slowly grinds your dreams away.
Makin' a fool's joke,
out of the promises we made.
And what once seemed black and white,
turns to so many shades of gray.
We lose ourselves in work to do,
work to do and bills to pay.
And it's a ride, ride, ride,
and there ain't much cover.
With no one runnin' by your side,
my blood brother.
On through the houses of the dead,
past those fallen in their tracks.
Always movin' ahead,
and never lookin' back.
Now I'm out here on this road,
alone on this road tonight.
I close my eyes and feel so many friends around me,
in the early evening light.
In the miles we have come,
in the battles won and lost,
are just so many roads travelled,
so many rivers crossed.
Now I ask God for the strength,
and faith in one another.
'cos it's a good night for a ride,
cross this river to the other side,
my blood brother...
In “Blood Brothers” – Bruce Springsteen