quarta-feira, 31 de maio de 2017

...o meu mano...


…lembro-me de, à beira de completar o meu sexto aniversário, entrar em casa em Alcântara, vindo não lembro bem de onde e de o meu pai com o dedo indicador na frente dos lábios, sugerindo silêncio, sorrir para mim e perguntar: “queres ver o mano…?”…
…eu sabia que ele devia estar a chegar brevemente, pendurado num lençol, na ponta do bico de uma cegonha… eu bem olhava para o céu naqueles últimos dias, mas cegonha nada… nem alguma mesmo sem bébé… aliás, só acabei por ver a minha primeira cegonha ao vivo, alguns anos depois, quando já sabia que os únicos bébés de que tomavam conta era os delas mesmo…
…mas pelos vistos, ela tinha já “aterrado” no quarto os meus pais e deixado lá a sua carga…fui então até lá, conduzido pelo meu progenitor, e vi a minha mãe debruçada sobre a cama, de costas para mim, movimentando os braços sobre “qualquer coisa” que eu não conseguia ainda observar…
…caminhei escassos metros até ficar encostado nas pernas da minha mãe e espreitar meio hesitante para cima da cama…e lá estava ele…com a fralda a ser mudada, pelos motivos mais óbvios e mal-cheirosos…daí dizer, na brincadeira, que a primeira impressão que tive do meu irmão, foi uma impressão de…merda, por assim dizer…rsrsrs
 …fiquei maravilhado e fascinado com aquele pequeno ser, então entrado na minha curta vida…eu que até anteriormente já tinha pedido aos meus pais um mano “para jogar à bola com ele”, mal sabendo eu que quando o fiz já ele estava “no forno”…
…e estava contente com o nome que eu tinha escolhido para ele, talvez por, com a minha tenra idade, achar graça à fonética do mesmo… Nuno…ou então pelo nome como ele se “auto-intitulava”, depois de uma qualquer senhora o elogiar por ser um bébé tão lindo, longos cabelos castanhos e lhe ter perguntado “és menino ou menina”… e ele do alto dos seus dois ou três anos: “Não sou menino, nem menina…sou Nu….”
…este tipo de resposta pronta e outras tantas tiradas e situações engraçadas, foram frequentes na sua infância e recordo imensas…
…e assim o “Nu” foi crescendo, de menino (ainda hoje, para mim e para minha mãe, é o “menino”) até jovem adolescente e homem que é hoje… a nossa diferença de idades, pode ter produzido alguma “gap” num determinado momento da nossa vida, natural brecha de interesses diferentes e bastante distantes,  entre quem tem dezasseis anos (eu) e o outro dez anos (ele), por exemplo… mas essa “divergência” foi rapidamente mitigada pelo avançar dos anos e muito cedo os nossos interesses e gostos convergiram, aliás, como quase sempre aconteceu nas nossas vidas em comum e depois de cada um seguir a sua independência, com uma cumplicidade que acredito ser muito própria…
…ser humano sério, ponderado, trabalhador incansável, também emotivo, bem-humorado com sentido mordaz e caustico muitas vezes (como eu…), amigo de quem merece e alguém para quem a família é o bem maior…  
…hoje celebrou-se o dia dos irmãos…
...e eu, a propósito mas mesmo que fosse outro qualquer dia do ano, quero dizer que tenho muito amor e orgulho no meu mano...e que, volvidos todos os anos da minha vida e pesadas todas as minhas vivências, ele para além de meu irmão é certamente, senão o melhor, uns dos meus maiores e verdadeiros amigos...
...grande abraço, puto...

‘’Blood Brothers” – Bruce Springsteen

(recorded live in Perth Arena – Perth, Australia – 22-01-2017)

We played king of the mountain,
out on the end.
The world come chargin' up the hill,
and we were women and men.
Now there's so much that time,
time and memory fades away.
We've got our own roads to ride,
and chances we got to take.
We stood side by side,
each one fightin' for the other.
We swore until we died,
we'd always be,
blood brothers.

Now the hardness of this world,
slowly grinds your dreams away.
Makin' a fool's joke,
out of the promises we made.
And what once seemed black and white,
turns to so many shades of gray.
We lose ourselves in work to do,
work to do and bills to pay.
And it's a ride, ride, ride,
and there ain't much cover.
With no one runnin' by your side,
my blood brother.

On through the houses of the dead,
past those fallen in their tracks.
Always movin' ahead,
and never lookin' back.

Now I'm out here on this road,
alone on this road tonight.
I close my eyes and feel so many friends around me,
in the early evening light.
In the miles we have come,
in the battles won and lost,
are just so many roads travelled,
so many rivers crossed.

Now I ask God for the strength,
and faith in one another.
'cos it's a good night for a ride,
cross this river to the other side,
my blood brother...


In “Blood Brothers” – Bruce Springsteen

segunda-feira, 29 de maio de 2017

''Para não perdermos a noção do que é mais importante''

Fundação Benfica - ''Para não perdermos a noção do que é mais importante''

Existe o Sport Lisboa e Benfica...
...e depois existem os outros...

Tetra (...e vão 36...com direito a dobradinha...à moda de Lisboa)



Sport Lisboa e Benfica 5 - Vitória Sport Clube 0 
(golos com relato)

"Benfica - Tetra-Campeões 2016/2017", por Fábio Gonçalves 
Soundtrack - "Our Story" - Mako



"Benfica - Desabafo de um Tetra-Campeão..." - por Guilherme Cabral & Tomás Rondão


Sport Lisboa e Benfica 2 - Vitória Sport Clube 1 - Final Taça de Portugal 2017





sábado, 27 de maio de 2017

Pérolas 148

Is this love?
Is this hope?
Is this true?
Is this home?

White lies in front of your eyes
It's hard to see
The space between earth and sky
Seems near to me
I dance before the sunrise
You don't believe
Don't think it's better to be wise
Love to forgive

And when you go
I see you fading
And you don't know
How much I care for you
And I don't know too

The train you caught in your town
Will come to me
The tremble I feel on the ground
Changed destiny
Let's run and hide from our souls
For fear we leave
I fear we're trapped in a black hole
Love to forgive

And when you go
I see you fading
Can't stop this flow
My heart is waiting
And you don't know
How much I care for you
And I don't know too

In “White Lies” – Rita Redshoes


Rita Redshoes - White Lies (Xinobi Remix)
(c/ Ivo Canelas)

Rita Redshoes - White Lies (Official Stream)



P’ra rir…ou sorrir…058

"Have you found Jesus?"
(...curiosamente, hoje, à hora de almoço, dois elders tocaram-me à campainha...)

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Poesia para os olhos 037

“...wild swimming...”
(Rio Teixeira – São Pedro do Sul)



ver mais em “Wild Guide Portugal”, by Edwina Pitcher 

terça-feira, 23 de maio de 2017

...my name is Bond, James Bond...(in memoriam "Sir" Roger Moore)

Roger George Moore

London, UK 14-10-1927 --- Crans-Montana, Switzerland 23-05-2017

…vi todos os filmes da saga James Bond 007 até hoje…e gostei, com excepção do canastrão do George Lanzeby, de todas as interpretações dos vários actores que actuaram na tela na pele do mais famoso agente britânico do MI6…
…cada um com as suas características próprias, inseridas em cada época ou argumento da missão/aventura vivida em cada filme, gostei do Sean Connery, do Timothy Dalton, do Pierce Brosnan e gosto muito, mesmo muito do actual Daniel Craig…
…no entanto, “Sir” Roger Moore (no seu reinado de 1973 a 1985) foi o agente “ao serviço de Sua Majestade” da minha infância e adolescência, com quem primeiro aprendi a vibrar com as aventuras de James Bond…

 ''James Bond 007'' Roger Moore Tribute


Pérolas 147

 “Kingdom of Rain” – The The (Matt Johnson with Sinead O‘Connor & Johnny Marr)
(…blinding poetry…listen to it loud in the dark…)


Tell me what you're thinking baby
Your heart's beating faster than mine
And I know something's going on in your life
Your life (your life)

You were the girl I wanted to cry with
You were the girl I wanted to die with

And you were the boy who turned into the man
Broke my heart and let go of my hand

Our bed is empty
The fire is out
And all the love we've got to give
Has all spurted out
There's no more blood
And no more pain
In our kingdom of rain

You think you know about life
You think you know about love
But when you put your hands inside me
It doesn't even feel like I'm being touched
And you were the boy I wanted to cry with
You were the boy I wanted to die with
You move further from my side, year by year
While still making love, dutifully sincere

But as silent as the car lights
That move across this room
As cold as our bodies
Silhouetted by the moon
And I would lie awake and wonder
"Is it just me? Or is this the way that love is supposed to be?"

Tell me what you told him baby
My heart's beating out of time with my mind
And I know something's going wrong in our lives

I just wanted somebody to caress
This damsel in distress
I just wanted somebody to undress
This damsel in distress
I just wanted somebody to bless
This damsel in distress
I just wanted somebody to possess
This young girl

Our bed is empty
The fire is out
And all the love we've got to give
Has all spurted out
There's no more blood
And no more pain
In our kingdom of rain

In “Kingdom of Rain” – The The (Matt Johnson with Sinead O‘Connor & Johnny Marr)



...pray for Manchester...


domingo, 21 de maio de 2017

P’ra rir…ou sorrir…057

…an alien among “humans”…  (ou…eu, no metropolitano de Lisboa…)

...Salvador (da treta)...


…Foda-se…!!! (…pois…eu, como ele, também o digo…)
…já não há santa paciência ou qualquer pachorra para tanta lambuzice parola e tanta vénia escancarada dirigida a um intérprete que encena bem a versão coitadinho virtuoso/atrasado mental fajuto (há quem diga que é carisma) que, por causa de uma musica de choraminguice meio manhosa, fez Portugal ganhar um euro concurso da canção (?) que há muito estava cadavérico (…ou talvez mais na onda zombie/mutante e pirotécnico, também…)
…no meio de isto tudo, “ai tão bom, ai tão bom” que estamos na frente da Europa e foi um surto de patriotismo (com a habitual recepção eufórica no aeroporto de Lisboa, com direito a bandeirinhas e hino nacional) como é costumeiro nestes casos…ah, e mais o facto de pró ano, eu e o resto dos portugueses, nos termos de chegar à frente com mais uns trocados para a realização do Festival Eurovisão pela RTP…empresa que, ao que penso, continua a ser pública…

“Feitas as contas, as últimas seis edições da Eurovisão custaram, em média, 32 milhões de euros ao país organizador. Se for este o valor investido pela RTP, vai pesar nas contas da estação pública. 32 milhões equivalem a 13,5% do montante que o Orçamento do Estado para 2017 reservou para a RTP, no valor de 235,8 milhões de euros.”




…posto isto... viva, então, o Salvador (da treta) Sobral, mais a mana dele…

...e como a memória da maioria das pessoas é curta, ficam aqui meia-dúzia de exemplos, entre outros que também os houve, de canções que representaram Portugal no dito festival e que, acho que facilmente, se admite serem melhores, em todos os aspectos (interpretação, letra, composição), "àquela coisa"... (acho que até os "Homens da Luta" foram melhores ;)...

Eurovision Portugal 1967 - Eduardo Nascimento - O Vento Mudou

Eurovision Portugal 1969- Simone de Oliveira - Desfolhada Portuguesa

Eurovision Portugal 1974 - Paulo de Carvalho - E Depois do Adeus


Eurovision Portugal 1984 - Maria Guinot - Silêncio e Tanta Gente

Eurovision Portugal 1992 - Dina - Amor d'Água Fresca

Eurovision Portugal 1994 - Sara Tavares - Chamar a Música






sexta-feira, 12 de maio de 2017

...Francisco...


…confesso que, por natural força da tradição e ter sido criado no ambiente da igreja católica, apostólica e romana, nunca foi um crente da forma tradicional e sempre me senti bastante distante e completamente divergente dos mandamentos completamente retorcidos e hipócritas que sempre percebi virem do Vaticano, em relação ao que, para mim e no meu entendimento, é ser verdadeiramente cristão…
…tentando abstrair-me de tais considerandos, quero hoje prestar homenagem e focar-me em alguém que, já antes e agora que está apenas à minutos em Portugal, sempre me impressionou na forma de ser, de falar, de olhar, de tocar as pessoas em toda a essência da palavra…simples, verdadeira, incisiva, muitas vezes incómoda…
…um homem bom, humano, homem do seu tempo, com um olhar e uma proximidade próprios…Jorge Mario Bergoglio…que escolheu ser Francisco como Papa, com todo o significado que isso carrega…paz, esperança, bondade, despojamento, solidariedade…