domingo, 3 de abril de 2022

...in memoriam...Salgueiro Maia...

 

Fernando José Salgueiro Maia
(Castelo de Vide, 1 de julho de 1944 – Lisboa, 3 de abril de 1992)


Castelo de Vide, uma pequena vila no distrito alentejano de Portalegre, foi a mesma que, na sua Rua de Santo Amaro, no nº 15, viu nascer Fernando José Salgueiro Maia, no remoto dia 1 de julho de 1944. Mal sabia a vila e os seus próprios pais que estaria ali o rosto da Revolução dos Cravos, que destronou e fez desmoronar o Estado Novo, regime ditatorial vigente em Portugal desde 1926, ainda antes do seu nascimento. A sua vida foi fugaz, tendo falecido aos 47 anos, no dia 3 de abril de 1992, na cidade de Lisboa. Lisboa, que seria a cidade-palco de uma das datas mais significativas do calendário português: o 25 de abril. No caso, o de 1974.

Salgueiro Maia cresceria um pouco longe desse Castelo de Vide, nomeadamente nas cidades de Coruche, de Tomar e de Pombal, todas elas bem a centro do país, embora tenha deixado amigos nessa vila que o viu nascer. Órfão de mãe desde os 4 anos — tinha falecido aos 29 anos de idade, num passeio por Lisboa, depois de ter sido atropelada por um autocarro, à imagem do marido e do filho, embora sobrevivessem —, viveria com o seu pai, Francisco, que foi ferroviário durante a sua vida e que forçou estas várias mudanças de residência. Seria criado por ele e pela sua companheira, Maria Augusta, que era modista e a quem chamaria de “madrinha”. O avô, pai de Francisco, ficaria por Castelo de Vide, vivendo perto da sua estação, levando a que o pequeno Salgueiro Maia não perdesse a sua ligação às raízes.

Foi em Leiria que finalizou o ensino secundário e, aos 20, ingressou na Academia Militar, sendo colocado na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, nas proximidades das cidades por onde cresceu e viveu, para o tirocínio (a prática de serviços militares). Isto mesmo apesar da disposição de o pai de o colocar a estudar em Coimbra, mas com Salgueiro Maia a querer, para si, o serviço militar e a defesa dos valores do Estado e do país. Para isso, e não obstante a sua estatura pequena, compensava com trabalho obstinado e empenhando, usando a farda como se fosse parte de si, mesmo nos fins-de-semana de repouso.

Assim, materializou uma paixão que já tinha pela segurança e salvaguarda dos outros, já que, quando era mais novo, gostava de brincar às guerras ou assumindo o papel de xerife, mostrando, de igual forma, o seu jeito a comandar pelos campos das cidades onde viveu e abdicando da bola nos pés. Brincadeiras que, embora mostrassem um jovem ativo e reboliço, não escondiam a tristeza interior de ter perdido a mãe tão cedo. De igual modo, na figura de comandante de instrução, chegou a fazer parte dos corpos militares portugueses na Guerra Colonial, nomeadamente da 9.ª companhia dos Comandos.

Era, então, alferes-coronel, tendo sido mobilizado para Moçambique no ano de 1967, perdurando até 1969. Com a promoção a capitão, em 1970, seguiu para a Guiné um ano depois, onde ficou até 1973. Lá, pôde vivenciar, na primeira pessoa, as grandes preocupações e perturbações que camaradas seus nutriam, numa guerra que não era a sua e que queriam que deixasse, definitivamente, de que acontecesse. Tanto que, no regresso a África, pelas portas da Guiné, encabeçou a companhia que designaria de “Os Progressistas”, levantando algumas sobrancelhas internamente. A isso, juntavam-se as adaptações que iam fazendo das músicas de Zeca Afonso, conotado com a contestação ao regime.

No entretanto, e na crescente contestação no seio do exército em relação à política colonial e à própria política repressiva interna do Estado Novo, Salgueiro Maia apareceu na figura de delegado de cavalaria e fez parte da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas (MFA). Havia sentido na pele a sobranceria das altas patentes e também a forma subserviente como olhavam os colonizados, empregando-os em trabalhos que não ficavam longe da escravatura. De igual modo, ia integrando os primeiros ventos de conspiração e de contestação ao regime, ainda em solo africano, por entre os membros do exército, que pensavam numa solução política ao invés do confronto de armas. Nesse papel, esteve envolvido na intentona do Levantamento das Caldas, a 16 de março de 1974, em representação daqueles que tinha visto serem detidos por causas que consideravam legítimas, materializando o sentido de camaradagem do exército. Não obstante, os receios de se desferir fogo e de haver derramamento de sangue, para além de falta de unanimidade na adesão a estas iniciativas, não fizeram lograr os seus intentos.


Isso mudaria passado um mês, a 25 de abril. O então capitão Salgueiro Maia, com somente 29 anos, seria o rosto dessa mobilização, já que foi ele, naquela madrugada de 24 para 25, que viria a cercar os edifícios dos ministérios em pleno Terreiro do Paço, dando um passo importante naquele que era a planificação gizada pelo MFA. Com a sua farda habitual, sem lugar para grandes luxos, levaria dez carros blindados (apesar de obsoletos, embora em velocidades inapropriadas para ligeiros), todos eles — com uma média de idades de 23 anos — provenientes da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, que o acompanhariam na marcha até à capital do país, marcha essa que havia começado às três horas e meia. Muito improviso foi o que se ia mostrando consoante as horas passavam, embora esforços tenham sido feitos para mostrar que o número dos revoltosos era bem abaixo do que aquele que, de facto, se reunia. Exemplo disso é a simbólica passagem de um sinal vermelho num cruzamento, para impulsionar esse momento que se queria como revolucionário.

O sucesso matinal naquela praça, não obstante o confronto com forças leais ao governo, que viriam a condescender — apesar de um blindado, liderado pelo brigadeiro Junqueira Reis, ter chegado a ordenar que disparassem sobre Salgueiro Maia — e outras até a desertar, conduziria, por ordem do comandante Otelo de Saraiva Carvalho, um dos cabecilhas desta Operação Fim-Regime, recolher a rendição do então presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, que cede o poder ao General António de Spínola no célebre Quartel do Carmo, no largo homónimo lisboeta. Perante a tensão existente, mas salvaguardado com a lealdade dos seus camaradas, chegou a ordenar, com o célebre megafone, que fossem desferidos tiros sobre a parede exterior, depois de montado o cerco sobre o quartel. Salgueiro Maia, que salvaguardaria a segurança deste na viagem até ao avião que o levaria para a Madeira, ponto intermédio para o exílio no Brasil. Seria, assim, um vulto heróico numa cidade à qual nunca guardou muita estima, especialmente dada a morte da sua mãe décadas antes.


As turbulências que se seguiram no ano e meio posterior, culminando no 25 de novembro de 1975, fizeram com que o desgaste se fizesse notar cada vez mais, levando-o a sair da Escola Prática de Cavalaria. O estatuto de herói era um com o qual não se sentia confortável, tornando-se até rude com quem o elogiava, limitando-se a assumir que tinha cumprido com o que tinha de ser feito. No entanto, muitos debatem-se com a humilhação e o desprezo sofridos por Salgueiro Maia neste período, vindos das mais altas patentes militares, que o colocariam em funções secundárias.

Só regressaria a esta quase dez anos depois, depois de estar em serviço nos Açores — na 3.ª Repartição do seu Quartel General — e, de novo, em Santarém, já em 1979, gerindo o setor prisional do Presídio Militar, para além de ter passado pelos serviços administrativos da Direção de Arma de Cavalaria, em Lisboa. Enquanto isso, prosseguiu os seus estudos, conseguindo uma licenciatura em Ciências Políticas e Sociais e uma pós-graduação em Ciências Antropológicas e Etnológicas, ambas pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Retomava, assim, o seu objetivo académico, que havia sido frustrado no regresso de Moçambique, por força da Crise Académica de 1969. Dava, com isto, forma e conteúdo às suas paixões de vida, viajando pelo estrangeiro ao lado da sua esposa e fazendo parte da Associação dos Amigos dos Castelos, destinada à salvaguarda dos monumentos militares em Portugal.

No percurso profissional, recusaria fazer parte do Conselho da Revolução, para além de declinar um convite para assumir o cargo de governador civil do seu distrito de Santarém, ser adido militar — oficial com funções diplomáticas com as autoridades de um dado país — na embaixada que pretendesse ou até fazer parte da Casa Militar da Presidência da República, o gabinete de suporte ao também Comandante Supremo das Forças Armadas. Em 1983, já no grau de major, ao qual subira dois anos antes, receberia a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, sendo condecorado, de igual modo, com o grau de Grande-Oficial da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito no ano da sua morte, 1992, e, quinze anos depois, com a Medalha de Ouro da cidade de Santarém. Em 2016, também seria condecorado com a Grã-Cruz do Infante D. Henrique.

A sua vida terminaria em abril de 1992, no Hospital Militar de Belém, depois de lhe ser diagnosticado um cancro intestinal, pese embora várias cirurgias. Deixara a sua esposa e amor da sua vida, Maria Natércia Santos, professora que havia conhecido pouco tempo depois de voltar de Moçambique, com quem casou em 1970, para além de Catarina e de Filipe, os filhos que foram adotados pelo casal nos anos de 1985 e de 1988. A sua última patente seria a de tenente-coronel, à qual ascendeu em 1988, embora sempre fosse contra grandes promoções e o exercício de funções de vulto.


Fernando José Salgueiro Maia seria, não só, homenageado por todo o país, mas também na sua própria terra-natal, Castelo de Vide, que o vê, ainda hoje, como seu filho pródigo e que o acolhe no seu solo. Numa campa rasa, num ataúde barato, sem honras de Estado, ao som da Grândola, Vila Morena, limitando a sua última viagem à presença de amigos. Foi assim a sua partida, ao jeito de um homem de jeitos simples, que apelava à capacidade de “desenrascanço” do português e que na qual mostrou ser mestre. Salgueiro Maia foi vulto e figura maior de um Abril que continua pendente de se cumprir por inteiro. Porém, o seu exemplo não esmorece com a passagem do tempo, nem com a mudança dos espaços onde foi protagonista. Assim, continua ao serviço, pelos lados da mente e da alma daqueles que fazem subsistir o legado de Abril, nas suas crenças, nos seus comportamentos e, claro está, nas suas vidas.

“As conquistas do capitão de Abril Salgueiro Maia”, por Lucas Brandão, publicado em 03 de Abril de 2022 em https://comunidadeculturaearte.com/


A Salgueiro Maia


Aquele que na hora da vitória
Respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à apalavra dada à ideia tida»
Como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Sophia de Mello Breyner Andersen em “Musa / O Búzio de Cós e Outros Poemas” (publicado em 2016)


...a fantastic, real and hateful slapping life...

 

 Image via Getty/Adam Berry

Graffiti art by Dominican artist Jesus Cruz Artiles (also known as Eme Freethinker) on a ancient Berlin Wall´s section, depicting the night actor Will Smith slapped Chris Rock on stage at the 94th Academy Awards ceremony held at the Dolby Theatre in Los Angeles

 

I hate what happened Sunday. I hate that what happened Sunday happened.

I hate that Sunday was a violent display of opulence.

I hate that no one cared. I hate that everyone cared.

I hate that I watched it, and then watched it again, and then slowed it down because I couldn’t believe that it’d happened.

I hate that I joined the voices on social media.

I hate that my first response was to joke about it. And as much as I hate the hate that hate created,

I hate us. All of us.

I hate everything.

I hate Chris Rock and his underwhelming, highly offensive joke.

I hate Will Smith for dragging us into this.

I hate everyone’s hot take except for this one.

I hate hot takes.

I refused to write a hot take because I knew everyone was going to have a hot take.

This is not a hot take. It’s a hate take.

I hate the images. I hate the conversations.

I hate the academy. I hate Roman Polanski.

I hate the misdirection tweets — you know, the ones that start talking about Sunday only to remind us that Antarctica is melting or that Ukraine is at war with Russia.

I hate that we can multitask. So we never forget that Antarctica is melting or that the people of Ukraine are suffering.

But mostly, I hate the celebrities that have joined teams.

Team Will or Team Chris.

I hate teams.

I hate Amy Schumer and her Karen-esque response. I hate that it involved her “being triggered” and “traumatized” or something days after.

I hate how this had nothing to do with her, and yet, here we are.

I hate that this was an actual televised Black-on-Black crime.

I hate that white people now feel comfortable speaking about Black folks’ business.

I hate Diddy for lying.

I hate that Amanda Seales tweeted this, and then was called out for this.

I hate that at one point I thought Tom Segura was a funny comedian, and then Sunday happened and he felt real comfortable calling Jada Pinkett-Smith a “bald-headed bitch.”

I hate that Black women never feel protected.

I hate that they have to put up with this.

I hate that being starved for protection made some feel like Sunday was called for.

It was not, and I hate that for Black women.

I hate Joe Rogan. He’s got nothing to do with this, but I hate him, too.

Wait, yes he does because he had a hot take and I didn’t read it but I’m sure I hate it.

I hate Red Table Talks.

We are probably going to have a Red Table Talk.

We are definitely going to have a Red Table Talk.

I hate that for us.

I hate the access we have to celebrities. I hate that they can send out whatever they feel in real time. I hate that Sunday happened and now, I hate Zoe Kravitz.

I hate that Black Twitter had CVS receipts for the entire Kravitz family.

I hate everyone in the Kravitz family besides Lisa Bonet.

I will not hate Lisa Bonet.

I hate “toxic masculinity” and “respectability politics.”

I hate camps.

I hate that I can’t decide which camp I’m in.

I hate Kareem Abdul-Jabbar’s take.

Wait, Kareem Abdul-Jabbar had a take?

I really hate that.

I hate OJ Simpson.

I hate Raven-Symoné.

I hate Jim Carrey.

I hate Sophia Bush.

Who on earth is Sophia Bush?

I don’t know, but I hate her.

I hate that everyone is a tough guy, or a psychologist, or a cop, or an apologist.

There’s only one celeb who gets me, and that’s Daniel Radcliffe (aka Harry Potter), who — much like me — hates all these celebs and their crappy takes too.

I once loved the openness of the Smith family.

Now I hate it.

I hate entanglements, both as a word and as a song.

I don’t hate August Alsina.

I hate that he came to the Smiths for help.

I hate that Jada took advantage of that situation.

I hate that we don’t talk about that.

I hate that Red Table Talk. The one where Will Smith cried.

I hate that everyone made fun of him for it.

I hate that we saw the other Will Smith because of it.

I hate that Jada didn’t get to stick up for herself.

I hate the way Will walked back to his seat.

I hate that people want to see another Black man arrested.

I hate that they might not be wrong.

I hate that this is all far from over.

I hate it all.

I hate that for us.

 

This article originally appeared on HuffPost, by Stephen A. Crockett Jr. and has been updated. (March 31, 2022, 6:36 PM)

 

 


P’ra rir…ou sorrir…140

 

Bartoon de 30-03-2022, por Luís Afonso, publicado no jornal "Público"


P’ra rir…ou sorrir…139


 😋


sábado, 12 de fevereiro de 2022

P’ra rir…ou sorrir…138

 

"Más condições" (ou "Salgado e o Alzheimer")

"Juventude Irrequieta (...na Faculdade de Ciências de Lisboa...)"


Henrique Monteiro, sempre na mouche...
(ver mais em https://henricartoon.pt/)   



segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

...100 anos...



 Maria de Jesus
...a minha avó materna completa hoje uns magnifícos cem - 100 - anos de idade...
...Parabéns, avó Ju...!
...longa vida, votos de muita saúde e venham mais 100...








terça-feira, 29 de junho de 2021

...54...

 

JP ®

"Boomtown" (from "Local Hero" OST), written by Mark Knopfler,

performed by Alan Clark, Michael Brecker, Mike Mainieri, Neil Jason and Steve Jordan








sábado, 5 de junho de 2021

...

 


Dois textos publicados por Francisco Moita Flores que vão “directo ao osso”…

 

29-05-2021

CALCINHAS EM BAIXO E CALADINHOS, QUE VAMOS LEVAR NA BOLHA!


É de uma enorme injustiça aquilo a que temos assistido na cidade do Porto durante estes últimos dias. E para consolidar a coisa, fomos sujeitos a uma série de mentiras, de manobras de linguagem e hipocrisia que só podem causar repulsa.
1 - Ainda não há três semanas que o Sporting se sagrou campeão. Multidões nas ruas.- Perante a indignação andaram os jornalistas à cata de responsabilidades. Em vão! Ninguém era responsável. Tudo terminou com a justificação de um ofício perdido que foi da PSP para a Câmara de Lisboa, ou vice versa, e o pessoal aceitou, conformadinho, a situação de risco que se viveu e, hoje, está associada, entre outros factores, ao crescimento da pandemia na região de Lisboa.
Os Leões celebraram a vitória à porta fechada, sem público no Estádio. O povo aceitou. Aceita sempre.
Por esses dias foi anunciada a final da Liga dos Campeões em Portugal, no Dragão, na cidade do Porto. Bom, desta vez, o nosso primeiro não veio proclamar que era mais uma homenagem aos profissionais de Saúde-
Mas iria ter público. Seis mil e tal adeptos. O povo perguntou qual a razão para haver público nesse evento e nos outros eventos desportivos serem à porta fechada?
2 – A resposta foi vaga e veio a final da Taça de Portugal entre o Benfica e o Braga. A ‘Festa do Futebol’ sobre a qual escrevi um post. Nem benfiquistas, nem bracarenses, nem sócios, nem adeptos entraram no estádio de Coimbra em obediência às ordens governamentais que impunham severo confinamento. E a ‘Festa do Futebol’ tornou numa final em prisão domiciliária. Foi há uma semana! Parece que correu muito tempo, mas não. Foi no último sábado.
3 – Esta semana, a senhora ministra Vieira da Silva veio fazer uma explicação muito pormenorizada sobre a final europeia. Surgiu a ‘teoria da bolha’. E soube-se que iriam estar no estádio do Dragão um número mais avantajado de adeptos. Mas que não haveria problemas pois vinham todos dentro de uma ‘bolha’ que rolaria do aeroporto até ao Estádio e, terminado o jogo, a ‘bolha’ correria até aos aviões.
Como é hábito, mentiram mais uma vez. Os adeptos começaram a chegar a meio de semana, aproveitaram para conhecer aquela bela cidade e emborcar uns quilolitros e cerveja. E acho que fizeram muito bem. Mandaram o Governo levar na ‘bolha’!
Os reinantes caladinhos e uma briosa e competente Comandante da PSP ditou as regras. Mas a missão era impossível, como se viu.
4 – Dou de barato a festança dos ‘bifes’ na cidade Invicta.
5 – Afinal, no Estádio estavam para cima de 25 mil adeptos ingleses!!!
6 – O que me levou a perceber que o Partido, e o governo que o serve, estava nas tintas para quem cumpre regras. Nestes dias, jogam-se as finais de campeonatos portugueses em várias modalidades, com atletas portugueses e não há ‘bolha’ nem meia ‘bolha’. São à porta fechada e sem público!
7 – A realidade inventada, vendida e comercializada pelos reinantes, a alegria com que mentem, com que ludibriam, com que passam culpas ou fazendo que não sabem é a melhor forma de nos ir à ‘bolha’. Veja-se o ministro Cabrita que, ao ser questionado sobre a situação, declarou que não sabia de nada e esperava um bom jogo. Assim, com esta sobranceria.
8 – Tinha outra ideia da Ministra de Estado e, agora, também da ‘Bolha’. Afinal também nos finta com a mesma indiferença de muitos dos seus colegas.
9 – E pronto! Aqui estamos quietinhas, sossegadinhos, calcinhas em baixo, para, mais uma vez, levarmos na ‘Bolha’. Bem proclamava o velho Almirante: ‘O Povo é sereno’. Serenos demais, diga-se.

Boa Saúde para Todos! 

 

 ******* 

 03-06-2021

QUE VALENTE PAR DE CORNOS!!!

1 - Há cerca de três semanas, a Inglaterra abriu o corredor verde, integrando Portugal e as praias nacionais ao turismo inglês. Os responsáveis portugueses bolsaram alegria e promessas de um Verão radiante, promissor, prenho de felicidade para quem tanto sofreu com a pandemia. E a notícia foi reforçada com outra boa nova: O nosso primeiro poderia homenagear, mais uma vez, os profissionais de saúde, com uma final da Champions. Disputada por duas equipas inglesas. Entrámos, assim, no esplendor da luz perpétua. O generoso Reino Unido abria mãos de uma final entre dois dos seus clubes mais importantes e ofereceu-a gentilmente à cidade do Porto.
2 - A Ministra de Estado e da Bolha tranquilizou os mais desconfiados de tanta generosidade. E vendeu-nos graciosamente, a teoria dos adeptos e hooligans, viajando em bolhas.
3 – A mais antiga Aliança do Mundo aí estava a funcionar. Como é bom manter as amizades, diziam alguns. E foi aquilo que se viu. Hordas de bêbados invadindo uma das mais belas cidades do Mundo e com razão. Nós cedemos-lhe o espaço público porque estávamos (e estamos) sujeitos ao confinamento. Nem aos nossos jogos de futebol podemos assistir. Seja futebol de graúdos ou de miúdos, quem não arranjar um contentor do lixo, sobre o qual espreite de longe os seus filhos ou a equipa da sua eleição, fica em casa, caladinho, piando baixinho, deleitado com o nosso Almirante que corre o País a dar milhares de vacinas por dia.
4 – Para calar os poucos indignados com a história da desigualdade entre ingleses e portugueses em terras lusas, ontem o chefe anunciou mais um passo no desconfinamento. Foi dia de grande euforia para muitos, Portugal no rumo certo!, para fechar a boca de vez àqueles que não encarneiram.
5 – Hoje, a besta deu um coice. Afinal, Portugal abre um pouco mais e a Inglaterra fecha o corredor verde. Os turistas tão desejados obrigados a quarentena que, afinal, o nosso País não é seguro. Percebe-se o drible. Abriu para que fosse possível oferecer outra final da Champions aos profissionais de Saúde. Fecha-se porque a homenagem está feita. Uma bondade do Magnífico Império Britânico para esta coloniazita insignificante.
Do nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros, iluminado entre iluminados, nem uma palavra até agora. Mais uma derrota das muitas que sofreu mas que sempre aceitou com o seu dom carismático: a pesporrência.
6 – É certo que fomos gozados mais um vez. Ao longo de séculos que a velha Britânia nos goza e, na volta, acha que até gostamos. Mas que nos pregou um valente par de cornos com esta manobra, lá isso…
7 – Agora, vai ser o contra-ataque governamental. Os regimentos de propaganda em acção. As companhias de comentadores na linha da frente. E já se sabe. A vitória de ontem, hoje transformada em derrota, que os melhores de todos nós, irão transformar numa gloriosa jornada do Chefe e da grande família que nos governa.

Boa Saúde para Todos! 

 

 

 


terça-feira, 1 de junho de 2021

P’ra rir…ou sorrir…137 ... (...ou nem por isso...)

 

"...Para inglês ver..."
(ver mais em https://henricartoon.pt/)   

...e ainda a propósito da final da Champions no Porto, não há umas almas caridosas que calem estas bestas, aí em baixo, à paulada...?!?






...e entretanto, vai-se "brincando" com a saúde de todos...



"O Jogo"
(ver mais em https://henricartoon.pt/)   


domingo, 23 de maio de 2021

..."o foco da cena"...

 

 

Então a estória reza assim:

PSP procura mulher que usava camisola da polícia no metro de Lisboa

Polícia está a investigar imagem que surgiu nas redes sociais de mulher que usava uma camisola da PSP e calções curtos. "Uso de fardamento policial não é permitido" e pode ser crime, diz a PSP.


A Polícia de Segurança Pública está a investigar uma imagem que surgiu nas redes sociais de uma mulher que usava uma camisola da PSP e calções muito curtos, enquanto viajava no Metro de Lisboa. O “uso de fardamento policial não é permitido” e pode ser crime, lembrou a PSP em comunicado colocado na rede social Instagram.

Assim que a PSP tomou contacto com a fotografia, “foram, de imediato, iniciadas diligências de identificação da cidadã, no sentido de confirmar se o polo pertence ou não ao nosso efetivo policial e averiguar onde obteve o fardamento e/ou se eventualmente se possa tratar de contrafação”.

Trata-se de um modelo de camisola que já não é utilizado pela PSP. “O uso de peças de fardamento policial, mesmo que antigo (como este), não é permitido, podendo constituir crime”, indicou a PSP no comunicado.

Fonte da PSP acrescentou que “dependendo do que for apurado”, pode estar em causa um processo criminal ou contraordenacional”.

Publicado em observador.pt em 20-05-2021

https://observador.pt/2021/05/20/psp-procura-mulher-que-usava-camisola-da-policia-no-metro-de-lisboa/

 

Não entendo a razão de tanto alarido, mesmo sabendo que pode estar em causa um hipotético “processo criminal ou contra-ordenacional”…

Eu quero lá saber que a “cidadã” anda com um polo da bófia (com todo o respeito) a passear no Metro ou noutro lado qualquer da cidade, quero lá saber se arranjou tal vestimenta porque a pediu emprestada ou a surrupiou ao namorado ou ao pai, ou mesmo se a comprou na Feira da Ladra…ou mesmo se ela própria é agente e saiu à pressa do turno…😝😁

Sério…olhem bem para a foto…😐

Já observaram com atenção…? 😏

Vejam lá outra vez... contemplem com calma…😉


Já está...? 😎

Agora…acham mesmo que o foco da cena aqui é o “fardamento da PSP”…?!? 😋

…A “questão” aqui é que esta rapariga deve ser das poucas coisas agradáveis (à vista) com que me deparo quando viajo no Metropolitano de Lisboa e noutros transportes públicos da capital… e de certeza que não devo ser o único a pensar assim…

…portem-se bem… 👍😉