quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Pérolas 271 (dose dupla)



The Rolling Stones - Sympathy For The Devil (Official Lyric Video)


The Rolling Stones - Sympathy For The Devil (Live)





Pérolas 270



…Bom ano novo de 2019…e abram de vez os olhinhos…!!!
(…inspirem-se neste tema do Gimba e amigos, que está cheio de 
verdades politicamente incorrectas e vai "direito ao osso"…)


“Vá Lá…!!!” – Gimba 
(ft. Ana Bacalhau, Rita Redshoes, António Zambujo, Márcia, Camané, Marisa Liz, 
Samuel Úria, José Cid, Mário Mata, Tim, JP Simões e Manuel João Vieira)


Trago um bom conselho
Para a gente que aqui está
São duas palavrinhas
E quais são elas?

Vá lá…!!!

Vá lá, Portugal, portugueses
Mais um ano, doze meses
Não saimos do lugar…
Vá lá, nobre povo, Zé Povinho
Não há pão e não há vinho
E o que há vai acabar!

Vá lá, estivadores e leiloeiros
Espantalhos, sinaleiros
É inútil esbracejar…
Vá lá, marinheiros de água doce
Era bom mas acabou-se
‘Tá na hora, vai fechar!

Vá lá, patos bravos barrigudos
Sem vergonha e sem canudos
A aldrabar a construção…
Vá lá, novos ricos triunfantes
Em vivendas de emigrantes
Baluarte da nação!

Vá lá, batalhão de Chico Espertos
Esses olhos bem abertos
Que o país é para roubar…
Vá lá, devedores e caloteiros
Agarrados ao dinheiro
‘Tá na hora de pagar!

Vá lá, rapazinhos da gravata
De atitude burocrata
E a fortuna do papá…
Vá lá, raparigas graduadas
Liberais, emancipadas
Do melhor que para aí há!

Vá lá, jogadores, viciados
Prostitutas e drogados
Quem vos traz o alvará?
Vá lá, traficantes, criminosos
Delinquentes, mafiosos
É agora, ‘bora lá!

Vá lá, monarquia arruinada
Sempre bem alcoolizada
Com uma cruz a abençoar…
Vá lá, burguesia toda airosa
Que essa vida cor de rosa
Está em vias de ir ao ar!

Vá lá, Herculanos, Saramagos
Escritores aziagos
Quem assina a petição?
Vá lá, geração iluminada
Treinadores de bancada
Onde é que está a solução?

Já sabemos bem
Que a vida aqui está má
Com a morte ali ao fundo
Ai, Mãe, a sorte onde andará?
Só resta sermos nós a dar a volta
Assim, não dá
Por isso, pessoal, vá lá…!!!

Vá lá, carneirada cibernética
A doença é genética
Agarrados digitais…
Vá lá, manada de aluados
Cidadãos neutralizados
Pelas redes sociais!

Vá lá, estudantina abrutalhada
Malcriada, mal formada
Nota 20 a vomitar…
Vá lá, especialistas em calão
Calinada e palavrão
Vamos, toca a trabalhar!

Vá lá, madames em topless
Da massagem anti-stress
E dieta natural…
Vá lá, brigada do pilates
Yôga e outros disparates
Que é que diz o mapa astral?…

Vá lá, reformados, pensionistas
O governo tem artistas
Pagos p’ra vos enganar…
Vá lá, moribundos, acamados
Incapazes, entrevados
Vamos, toca a levantar!

Já sabemos bem
Que a vida aqui está má
Com a morte ali ao fundo
Ai, Mãe, a sorte onde andará?
Só resta sermos nós a dar a volta
Assim, não dá
Por isso, Portugal, vá lá…!!!

Vá lá, moderníssimos fadistas
A elite dos artistas
Do melhor que há no país…
Vá lá, costureiros e roqueiros
Dos modelos estrangeiros
E da coca no nariz!

Vá lá, capitães e generais
Mais as tias de Cascais
Na orgia do cifrão…
Vá lá, ministros, deputados
Com os bolsos recheados
Façam a revolução!

Vá lá, navegantes, triste fado
As glórias do passado
Não vos deixam navegar…
Vá lá, saudosistas praticantes
Isto está pior que dantes
Vade retro, Salazar!

Vá lá, Portugal, olha p’ra ti
Há quem diga por aí
Sem a guerra não há paz…
Vá lá, Portugal, nação valente
Que o futuro é um presente
E é para a frente e não para trás!

Vá lá…!!!

In “Vá Lá…!!!” – Gimba (ft. Ana Bacalhau, Rita Redshoes, António Zambujo, Márcia, Camané, Marisa Liz, Samuel Úria, José Cid, Mário Mata, Tim, JP Simões e Manuel João Vieira)



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Pérolas 268

Gianna Nannini  “Ti voglio tanto bene” 


Io vivrò con te
Ogni giorno comincia dove I baci finiscono
Ora che è inevitabile
Un dolore fantastico nei minuti
Che restano per sempre

Ti voglio tanto bene
E ci sarò per te
Se sentirai nel cuore
Un amore che non c'è

Ti voglio tanto bene
E ti raggiungerò
Con tutta la mia voce ascoltami

Io canterò per te
Mi sentirai nell'aria
Entrare nei tuoi occhi
Sola nell'anima

Io vivrò con te
Guardandoti esistere e nel sole rinascere
Io lo so che siamo fragili
E con gli occhi degli angeli
Ci guardiamo resistere

Io vedo un mondo migliore
Si girano le nuvole
Abbi cura di splendere

Ti voglio tanto bene
E niente finirà
Se non avrai paura
Di continuare a vivere

Io canterò per te
Mi sentirai nell'aria
Entrare nei tuoi occhi
Sola nell'anima

Io canterò per te
Canterò per te
Ricordati il mio nome
Ti voglio tanto bene

Non vedrò con te
Quell'alba di luce
Noi ora dov'è

In “Ti voglio tanto bene” – Gianna Nannini


Poesia para os olhos 061

…tenderness II…


Pérolas 267 (dose tripla)


The Happy Mess - ''Dressed to Kill''

The Happy Mess - ''Long Goodbye''

The Happy Mess & Rita Redshoes - ''Waltz for Lovers''



P’ra rir…ou sorrir…091

...magnifico e pertinente cartoon de Mark Knight, no jornal australiano Herald Sun... 
...gostava de saber onde certas mentes conseguem ver laivos de racismo e/ou sexismo neste desenho...
...porventura a tenista agiu bem, num tipo de comportamento em que já não é primeira vez (longe disso) que incorre...?
...porventura o arbitro Carlos Ramos não aplicou o regulamento e as regras...?
...se a tenista fosse um homem e o arbitro uma mulher também seria uma situação considerada sexista...?
...se Serena fosse de raça caucasiana e o arbitro de raça negra também haveria tanto clamor em redor de racismo quer em relação às decisões do juiz da partida...?
...e, finalmente, numa hipótese académica, se Serena fosse portuguesa e o arbitro fosse norte-americano haveria tanta indignação...?
...tanta hipocrisia, não me lixem...!!!
...em resumo: obrigado e parabéns pela coragem, sr. Carlos Ramos e sr. Mark Knight...!


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

...Happy Birthday, Bobby Milk...

Robert Anthony De Niro Jr., born 17-08-1943 in New York, USA
(75)

…Robert De Niro é, na minha opinião, ainda e simplesmente, o maior actor de cinema vivo…intenso, versátil e prolifico, a lista de participações suas em filmes no grande ecrã é impressionante em termos de películas que, pela excelência e/ou pelas box-office’s geradas, marcaram a 7ª arte…
…exemplos…?
The Godfather - Part II;   Taxi Driver;   New York, New York;   The Deer Hunter;   Raging Bull;   The King of Comedy;   Once Upon a Time in America;   The Mission;   Angel Heart;   The Untouchables;   We're No Angels;   Stanley & Iris;   Goodfellas;   Awakenings;   Guilty by Suspicion;   Backdraft;   Cape Fear;   This Boy's Life;   A Bronx Tale;   Mary Shelley's Frankenstein;   Casino;   Heat;   The Fan;   Sleepers;   Cop Land;   Jackie Brown;   Wag the Dog;   Ronin;   Analyze This;   Flawless;   Men of Honor;   Meet the Parents;   15 Minutes;   The Score;   Showtime;   Analyze That;   Meet the Fockers;   The Good Shepherd;   Everybody's Fine;   Little Fockers;   Silver Linings Playbook;   Killing Season;   Malavita - The Family;   Last Vegas;   Grudge Match…   












quarta-feira, 15 de agosto de 2018

nimas 010… A Fish Called Wanda





...a rever pela enésima vez o "Um Peixe Chamado Wanda", no aMC...😆
...incrível como uma comédia produzida há trinta (30) anos, continua a fazer rir por muito que a reveja...o argumento de John Cleese e a sua interpretação delirante juntamente com o seu companheiro dos Monty Python, Michael Palin, com a sensual Jamie Lee Curtis (...que corpo perfeito...😜) e com o destravado Kevin Kline ("...don´t call me stupid...!"😂), fazem com que continue a ser uma das minhas comédias de eleição...   


Otto: You know your problem? You don't like winners.
Archie: Winners?
Otto: Yeah. Winners.
Archie: Winners, like North Vietnam?
Otto: Shut up. We didn't lose Vietnam. It was a tie!

"A Fish Called Wanda" (1988), de Charles Crichton e John Cleese,
com John Cleese, Jamie Lee Curtis, Kevin Kline e Michael Palin


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Pérolas 266

“Morte ao Sol” - GNR

Felizmente que a noite sai
Ainda bem que há névoa por aí
Estou contente se a luz se esvai
E uma sombra invade este lugar

Se um amanhã perdido for
metamorfose de horror

As trevoas não vão demorar estou contente se a luz se esvai
Se o céu se fecha sobre nós desprende-se uma rouca voz

Se o amanhã perdido for
overdose de pavor

Directa sim eu declaro morte ao sol
Directa não e a quem o apoiar
Directa sim eu declaro morte ao sol
aí vem a luz !!!

Se o céu não fecha já sobre nós
Revela-se esta imagem atroz

Directa sim eu declaro morte ao sol
Directa não e a quem o apoiar
Directa sim eu declaro morte ao sol
Directa não e a quem o apoiar


In “Morte ao Sol” - GNR



terça-feira, 31 de julho de 2018

Pérolas 265

  JP ®

É amanhã dia um de Agosto
E tudo em mim, é um fogo posto
Sacola às costas, cantante na mão
Enterro os pés no calor do chão

É tanto o sol pelo caminho
Que sendo um, não me sinto sozinho
Todos os anos, em praias diferentes
Se juntam corpos sedosos e quentes

Adoro ver a praia dourada
O estranho brilho da areia molhada
Mergulho verde nas ondas do mar
Procuro o fundo p'ra lhe tocar

Estendido ao sol, sem nada a dizer
Sorriso aberto de puro prazer
Todos os anos, em praias diferentes
Se juntam corpos sedosos e quentes

In “1º de Agosto” – Xutos & Pontapés 






segunda-feira, 30 de julho de 2018

P’ra rir…ou sorrir…090


"Robles dos Bosques", por Henrique Monteiro, in http://henricartoon.pt/


...hipocrisia de esquerda...com H maiúsculo...

(...posso nem concordar com a grande maioria das explanações do escriba que se segue, mas neste caso assino por baixo…) 


‘‘Assim se vê a “superioridade moral” dos bloquistas /premium,’’
por José Manuel Fernandes, jornal “Observador” on-line, 30-07-2018


O episódio Robles, tal como outros envolvendo celebridades da esquerda chique (Iglesias, Varoufaquis), só é compreensível indo às raízes do pensamento radical, ao porquê da sua arrogância sem vergonha.
Porque será que não fiquei surpreendido nem com os negócios imobiliários de Ricardo Robles, nem com as reacções histriónicas das suas companheiras de partido, que começaram a disparar contra tudo e contra todos enovelando-se em artifícios e mentirinhas?
Não, não foi por acreditar nas suas desculpas esfarrapadas e cheias de contradições que não deixarão de o perseguir nos próximos tempos.
Não fiquei surpreendido por uma razão bem mais simples: porque é da natureza do Bloco e da ideologia que alimenta o Bloco ser assim e actuar assim. É da natureza do Bloco porque está-lhe na massa do sangue ver-se a si mesmo como estando acima dos demais, como sendo a moral do regime. E é da natureza da sua ideologia porque ela vê-se como moralmente superior às demais.
Reparem na reacção de Catarina Martins. As críticas a Ricardo Robles não eram políticas – eram interesseiras, pois apenas visavam defender os interesses das imobiliárias que o Bloco em bloco, e Robles em particular, tão corajosamente têm atacado. E as notícias dos jornais não eram inocentes, muito menos fruto de os jornalistas tratarem de cumprir a sua missão de fiscalização dos titulares de cargos públicas, antes maquinações venais, peças encomendadas e conspirações mal disfarçadas.
Há aqui algum descontrolo emocional que até nos diverte já que, ao menos uma vez na vida, foram os bloquistas a ser apanhados em evidente contrapé, tão fora de mão que nem conseguiram beneficiar da habitual benevolência camaradas de muitas redacções. Contudo esse descontrolo emocional apenas tornou mais evidente a forma de raciocinar do Bloco e dos seus dirigentes.
Primeiro que tudo, Catarina Martins, tal como Ricardo Robles, consideram-se políticos moralmente superiores aos demais. Não há aqui nada de novo, pelo contrário: eles apenas estão na linha da tradição dos radicais de esquerda, dos jacobinos aos comunistas, eles apenas seguem a cartilha de quem, sem tibiezas nem disfarces, assumiu essa condição de estarem acima dos demais: nada menos que o próprio Álvaro Cunhal. Sim, porque foi ele quem escreveu, significativamente em 1974, o ano da revolução, um pequeno opúsculo intitulado A superioridade moral dos comunistas, um texto que é muito útil revisitar pela sua clareza e um desassombro no limite da arrogância.
Para Cunhal, “os comunistas não se distinguem apenas pelos seus elevados objectivos e pela sua acção revolucionária, distinguem-se também pelos seus elevados princípios morais”. Perguntar-se-á: porque são homens melhor do que os outros? Não, como Cunhal tem o cuidado de explicar. Eles são superiores porque “a moral dos comunistas é contrária e superior à moral burguesa”. Eles até podem ter fraquezas, mas estão do lado certo da história, e é isso e só isso que conta para os comunistas e seus aparentados (como são os bloquistas). A superioridade da sua moral deriva de serem, por definição, agentes do bem e mensageiros de um futuro radioso pois, como explicava o dirigente histórico do PCP, essa moral identifica-se com a “natureza, objectivos e missão histórica do proletariado”. O conceito chave aqui é “missão histórica”: é ele que autoriza tudo e justifica tudo.
A argumentação deste livrinho surge-nos numa língua de pau a que já não estamos habituados, mas a sua lógica mantem-se intacta: os radicais de hoje, como os radicais de ontem, vêem-se como moralmente superiores porque acham que lutam por uma sociedade sem classes, porque defendem que “a propriedade é um roubo” (no sábado os bloquistas que foram ao acampamento de juventude tinham um painel dedicado a esse tema, mas suponho que o nosso Robles é capaz de não ter assistido) e entendem que só há uma sociedade decente, que é aquela onde tudo é de todos e nada é de ninguém (o que sempre acabou com o partido e o Estado a serem donos de tudo, mas isso são detalhes).
O paradoxo desta moral é que ela pressupõe que os radicais sejam desprendidos dos bens materiais, e eles acham mesmo que são. Ou, para ser mais exacto, acham que serão no dia em que se realizar a sua utopia. Até lá fazem o que Lenine lhes ensinou: usam tudo o que as nossas sociedades colocam ao seu dispor para atingirem os seus objectivos. Fazem-no na acção política, mas não lhes repugna fazê-lo também nas suas vidas pessoais. Isso não lhes causa qualquer problema de consciência – não causou a Ricardo Robles, como não causa a Varoufakis (no seu apartamento com vista para a Acrópole), como não causa a Pablo Iglesias (feliz na sua vivenda de 650 mil euros), como não causa a todos os políticos do PT brasileiro que “fizeram como os outros” e enriqueceram.
Por isso, repito, nada disto nos devia surpreender. É uma tradição antiga, com raízes na Revolução Francesa e nos jacobinos de 1793, de quem, como escreveu François Furet, o grande historiador desse período, “se esperava que abrissem o caminho à burguesia, mas que nos deram o primeiro exemplo de burgueses que detestam os burgueses em nome de princípios burgueses”. Foi apenas o primeiro exemplo, pois muitos outros se seguiram, como recordou e elencou no seu magistral estudo O Passado de uma Ilusão – Ensaio Sobre a Ideia Comunista no Século XX.
Será possível encontrar melhor encarnação dessa imagem de um burguês que detesta os burgueses do que Ricardo Robles? É difícil, porque na verdade o vereador bloquista se atreveu a ir longe demais no exercício da hipocrisia. Mas, de novo, temos de reconhecer que as evidentes contradições entre o que diz e o que faz possuem antecedentes famosos e, sobretudo, reveladores da doença congénita do radicalismo moralista.
Regresso à Revolução Francesa pois volta a ser nela, e na forma trágica como evoluiu de uma libertação para uma opressão, e desta para o Terror, que encontramos alguns dos males que hoje detectamos no radicalismo “moralmente superior”. Edmund Burke, porventura o mais lúcido crítico dos excessos franceses, não pode por exemplo deixar de notar, na crítica que fez a um dos filósofos que inspirou os radicalismos revolucionários, Jean-Jacques Rousseau, que se tratava de alguém que, ao mesmo tempo que se proclamava ao serviço da Humanidade não tivera sequer a humanidade suficiente para não entregar os seus seis filhos a um orfanato, tendo uma conduta pessoal deplorável. “A lover of his kind, but a hater of his kindred”, escreveu de forma ácida mas certeira, interrogando-se sobre se os homens deveriam ser julgados pelos seus comportamentos reais ou pelas suas grandiosas, e “generosas”, proclamações. Ou seja, identificou um mal que ainda hoje detectamos nos muitos “filhos de Rousseau” que por aí andam – pois é isso que são, mesmo que gostem mais de se ver como “filhos de Marx”.
Na nossa esquerda chique, muito bem representada nas fileiras do Bloco, esta condição é especialmente evidente. O amor que proclamam pela causa dos pobres, ou dos idosos, ou dos doentes do SNS, é sempre um amor tão absoluto e radical que só pode ser um amor “abstracto”. É um amor que por isso mesmo nunca ou quase nunca se traduz em acções desinteressadas de voluntariado, em gestos simples de solidariedade como darem apoio a doentes em cuidados paliativos ou andarem pela cidade a distribuir comida aos sem-abrigo. Isso seria corromper o seu amor absoluto porque isso seria “caridadezinha” – para além de que iriam misturar-se com as organizações cristãs de solidariedade social, que abominam.
A nossa esquerda chique está cheia deste tipo de figuras – a que Burke também chamou “filósofos da vaidade” –, mas imagino que nesta fase do meu texto muitos pensem que exagero. Afinal nem todos são como Ricardo Robles, nem todos fizeram, ou tentaram fazer, os negócios em que este se meteu, o que é uma evidência. Afinal os que no Bloco são mais ortodoxos (como Luís Fazenda, o único dirigente bloquista a distanciar-se do vereador lisboeta) sabem que à “superioridade moral dos comunistas” deve corresponder também um mínimo de esforço para seguir a chamada “moral comunista”, e que Robles está a milhas dessa preocupação terrena.
Mas eu, que conheci por dentro estas organizações (por lá andei entre os 15 e os 23 anos, depois curei-me), que li os livros que os inspiraram e inspiram e participei em muitos convívios (na época não lhes chamávamos pomposamente “workshops”) de formação de militantes, identifico nas Catarinas, nas Mortáguas e nos Robles o mesmo sentimento de “superioridade moral” que sempre se respirou nesses meios e que Álvaro Cunhal tão orgulhosamente reivindicou. A diferença é que hoje já se abandonaram palavras como “proletariado” e “luta de classes”, trocando-as por temas mais “urbanos” e preferindo os corredores das universidades às cantinas das fábricas para difundirem a sua doutrina (nisso são muito mais gramscianos do que leninistas). A diferença é que a esquerda chique é mesmo só ideologia e complexo de culpa (pela sua condição burguesa), o que a torna ainda muito mais amoral.
Se não fosse este o ar que o Bloco respira não se tinham unido todos e todas da forma como uniram na defesa do indefensável.

-Catarina, o camarada Robles é um especulador imobiliário?
- Claro que não, a economia é que está a crescer... 😇


quinta-feira, 26 de julho de 2018

...Happy Birthday, Sir Mick...


"Mick Jagger", by Patrice Murciano


The Rolling Stones - "Satisfaction" - (young Mick Jagger - 1965)

The Rolling Stones - "As Tears Go By" (Shine a Light 2008) Full HD

Michael Phillip "Mick" Jagger, born 26-07-2043 in Dartford, England, United Kingdom
(75)




...Pray for Greece...