segunda-feira, 10 de março de 2014

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

P’ra rir…ou sorrir… 017

…ou, arriscando ser o trocadilho do ano, “Papa was a rolling stone”…  rs ;)  

domingo, 26 de janeiro de 2014

…a sétima onda…



…Praia do Norte, Costa da Caparica…
…quase não me lembro a última vez  que estive aqui…
…houve tempo na minha adolescência em que bastava haver uma nesga de sol a partir Abril para vir acampar fins-de-semana e férias escolares com a malta para o parque da Orbitur, até que o Verão durasse…
…tempo antes de começar também a dar saltadas ao Algarve e mais antes ainda de descobrir e me apaixonar perdidamente pelo litoral alentejano, selvagem, ainda praticamente deserto de forasteiros, comparativamente com o que se passa agora…
…é cedo, oito e pouco da manhã, dia de semana a meio em final de Setembro, tempo ligeiramente nublado e temperatura longe do braseiro de Agosto… 
…condições  que fazem estar a praia como gosto: quase vazia e sem um calor infernal…
…e que fizeram aproveitar dois dias de férias em atraso para vir matar saudades da areia debaixo dos pés, do sabor do mar salgado, do cheiro da praia, do sol a bater dócil na minha pele desabituada da sua intensidade…
…com os “velhos” Longboard azul-escuros vestidos, caminho desde meio do areal molhado em direcção à água, um ultimo olhar para trás, fixando um ponto de orientação onde deixei a toalha…
…sinto a brisa matinal, uma aragem fresquinha que me percorre a derme…
…a espuma das ondas gorgoleja à volta dos pés, no vai-e-vem da maré, que sobe pelo corpo acima… tornozelos, coxas, cintura… devagar… gozando a frescura da água, salpicando-a por todo o tronco, num arrepio agradável…   
…o mar está bom, “picadinho”, com ondas certas, maré em enchente… sempre preferi um mar com ondas a um “mar chão”… sentir a força do mar em cada mergulho, em cada braçada, admirar e fruir a sua transparência azul-esverdeada…
…lanço-me à agua de cabeça em sentido longitudinal, membros esticados, em salto de peixe, experimentando de novo aquela maravilhosa sensação de sentir aquele friozinho especial do mar da Caparica no corpo todo…
…submerso, vejo a areia e pequenas algas passarem difusas por baixo de mim, durante dois ou três batimentos de pernas…
 …venho à tona, inspirando fundo, desvio o cabelo, que está mais comprido que o habitual, dos olhos… “estendo-me” num dos prazeres mais simples da vida…que é apenas deixar-me flutuar, como agora… com o conforto do balanço das ondas e o infinito em cima…    
…abandono-me por minutos deitado neste colchão liquido e firmo depois as pernas na areia…
…o Atlântico bordeja-me as ancas e as ondas continuam rolar cíclicas na minha direcção…em intervalos mais ou menos regulares…um após outra, numa cadência que descobri que já há muito tempo atrás, em que ficava tempos infinitos, sentado na praia, a olhar o mar na sua força e majestosidade, a desfazer-se em suave espuma quando chegava até junto de mim…
…as ondas a erguerem-se , uma após outra, em contagem progressiva até à sétima… a onda maior da sequência…
…olho o horizonte e revejo momentos antigos da minha memória… encadeados em cada onda cuja rebentação se desfaz no areal e que vou enumerando neste momento e associadas nas minhas lembranças…
…uma…
…duas…
…três…
…quatro…
…cinco…
…seis…
…até à onda-rainha que se aproxima… a sétima…
…em formação ao longe, depois a erguer-se lenta mas pungentemente acima de tudo… num som surdo a principio, até quase parar no tempo, suspensa frente de ti, numa enorme parede translucida pronta para me engolir… e eu pronto para abraçá-la com prazer, enquanto ela ruge em meu redor, desfazendo-se depois até se silenciar em murmúrios  a caminho da praia, molhando gradualmente a areia seca, no compasso da maré-cheia…
…ela aí está de novo à minha frente e eu, ansioso, satisfeito, entro nela…
…a sétima onda é a mais forte da rebentação, a que te faz sentir o corpo vibrar, a que te faz estremecer e sentir a felicidade intensa mas efemeramente curta e eterna também, como o vislumbre do olhar da mulher que amas quando lhe provocas um doce orgasmo…
…e foi assim que ela passou por mim e eu por ela, uma vez mais, como muitas coisas na minha vida, intensas e curtas… como certas coisas que gostava muito de manter tão intensas também, mas mais duradoiras…
…regresso devagar à toalha e deito-me prazenteiramente, deixando-me acariciar pelo sol que esse é eterno… (pelo menos, até ver…)

JP ®


Sting - Love Is The Seventh Wave

sábado, 25 de janeiro de 2014

Pérolas 056




And how do I choose and where do I draw the line
Between truth and necessary pain?
And how do I know and where do I get my belief
That things will be all right again?

What words do I use to try and explain
To those who've witnessed all my tears?
And what does it mean to know all these things
When love's been wasted all these years,
When love's been wasted all these years.

Standing in the shadows
With my heart right in my hand,
Removed from all the people
Who could never understand.

I was a pilgrim for your love,
A pilgrim for your love.
I was a pilgrim for your love,
A pilgrim for your love.

It's like living in a nightmare,
Like looking in the blackest hole,
Like standing on the edge of nothing,
Completly out of control.

Now where have I been all these years
And how come I just couldn't see?
Like a blind man walking 'round in darkness,
I was a pilgrim for your love,
I was a pilgrim for your love.



In “Pilgrim” – Eric Clapton



sábado, 18 de janeiro de 2014

Poesia para os olhos 012

…este vídeo-clip já tem uns tempos… mas é das coisas mais sexy que já foi feitas… provoca uma vontade tremendamente irracional de correr até ao health-club mais próximo e frequentar umas aulas de aeróbica… ;) 

Eric Prydz - Call On Me (Uncensored Version)

…a homenagem (perfeita) ao Pantera Negra…


Lisboa, Estádio da Luz, 12 de Janeiro de 2014

















SLBenfica 2 - FCPorto 0 (12-01-2014)

…imortal…




Eusébio da Silva Ferreira
(Lourenço Marques, actual Maputo, 25 de Janeiro de 1942 – Lisboa, 5 de Janeiro de 2014)  


…mais que palavras, que seriam sempre insuficientes, ficam as imagens…

























domingo, 5 de janeiro de 2014

P’ra rir…ou sorrir… 016


Um chinês andava em turismo pela costa californiana… passeia por Los Angeles e por Hollywood… aí entra num McDonald’s e vê o Steven Spielberg sentado numa mesa…
Sendo um tremendo fã do famoso realizador, saca do telemóvel e vai directo ao homem para lhe pedir para tirarem uma foto juntos…
Ainda antes de conseguir dizer uma palavra sequer, o americano vê-o aproximar, levanta-se e assim que o chinês fica a jeito, dá-lhe um murro na cara e um pontapé nos “tomates” que deixa o oriental estendido no meio do chão…
Ainda zonzo e dorido, o chino levanta-se e pergunta:
- Eh, pá, ó Spielberg, mas eu que sou teu grande fã, ia pedir-te para tirar uma foto juntos e tu, assim do nada, arreias-me desta maneira, meu…?
- Isto foi por vocês, japoneses, bombardearem Pearl Harbour… - vocifera o outro.
O chinês, atónito, balbucia:
- Mas… mas isso foram os japoneses…eu sou chinês...
- Japoneses, chineses, tailandeses, pra mim é tudo a mesma merda… - responde o americano.
Acto contínuo, o chinês agarra na cadeira mais próxima e ferra com ela na cabeça do Spielberg, que quase fica desmaiado, estatelado ao comprido…
- Isto – diz-lhe o chinês – é por teres afundado o Titanic…
Completamente aparvalhado, o americano tenta endireitar os óculos e diz-lhe:
- Mas o que afundou o Titanic foi um iceberg…
E logicamente, o chinês responde, justificando-se:
- Iceberg, Carlsberg, Spielberg, pra mim é tudo a mesma merda…       ;)




domingo, 29 de dezembro de 2013

Poesia para os olhos 011

…magnífica película publicitária da Mercedes-Benz; imagens e sons em perfeita simbiose… embora eu não seja um adepto fervoroso de automóveis ou das suas performances… mas adoro lobos… ;)


"Mercedes-Benz TV - Untamed. The new CLA"



P’ra rir…ou sorrir… 015


 …descubra as diferenças…rsrsrs










…adeus a um amigo…


"Os cães são o nosso elo com o Paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden, onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz."

                                                                                                                                          Milan Kundera

Joly
(Casal da Fraga, 05 de Maio de 2000 – Casal da Fraga, 03 de Outubro de 2013)








JP ®


…soube-o no final da primeira semana de Outubro, ao telefone, pela minha mãe, o que ela já previra dois ou três dias antes…
…o Joly “deixou-nos”…
…suavemente, sem alarido, durante o sono e, aparentemente, sem muito sofrimento, traído pelo que ele tinha de maior: o coração…
…perdi um amigo… um dos poucos que tinha e um dos melhores que tive ou, de certeza, alguma vez terei…
…tal como de outras vezes em que experimentei sentimentos de perda idênticos, a sensação acaba por me atingir mais fortemente algum tempo depois… com retroactividade, como costumo dizer…
…e foi agora, pelo Natal, que regressei ao lugar onde ele sempre me esperava, farejando o ar e voltado para Sul, cauda a rabiar no ar, quando sentia que estava para chegar, que me atingiu mais a sua inevitável ausência…
…já não farei com ele a nossa “dança” em que ambos rodopiávamos ao encontro um do outro, antes de ele encostar o focinho entre os meus joelhos, para lhe fazer abundantes festas no topo da cabeça e pelo lombo lustroso..  
…já não faremos juntos longos passeios pela floresta e pelas hortas, com ele deambulando por lugares novos ou revisitando outros…
…já não verei a alegria nos seus olhos quando me via ou a tristeza neles quando se apercebia que eu ia partir…
…e o meu sobrinho, que a caminho dos 2 anos associa a palavra “cão” ao ‘Oly (como ele lhe chama), já não vai ter a oportunidade de rever o “amigo” que tanto o fazia rir quando ladrava…
…perdi um amigo, corajoso, inteligente e leal…
…descansa em paz, Jolas…


JP ®

sábado, 28 de dezembro de 2013

…caça e pesca…



…confesso que foi coisa que nunca entendi muito bem, quer a caça, quer a pesca, como hobbies ou actividades de lazer, por assim dizer…
…no entanto, embora por razões diferentes…
…a caça acho que é, no mínimo e quase sempre, uma imbecilidade sem fim…
…principalmente, quando justificam essa actividade “essencial para manter os níveis cinegéticos” (dizem os caçadores mais instruídos, que significa abater tudo quanto é animal que mexe no meio do mato – mesmo que digam o contrário – mas com estilo nas suas vestimentas de “griffe”)… …ou “pelo convívio” (dizem aqueles outros mais boçais, que significa tomar um mata-bicho matinal antes de desatar às chumbadas pró ar, apanhar uma bebedeira valente ao almoço e passar a tarde às voltas, para regressar a casa com dois pardais à cintura, a culpar os cães porque não “farejam” nada)…
…conheço exemplos destes dois tipo de indivíduos…
…um foi meu colega de escola, tipo que até era provido de inteligência, mas que tinha a caça como uma actividade de culto, quase na base de uma herança familiar… o avô era caçador, os pais e os tios eram caçadores, os irmãos e os primos mais velhos eram caçadores… e ele era caçador “por descendência”… embora eu sempre tivesse achado que o fizesse sem muita convicção, pois apesar de tentar mostrar muita paixão quando falava disso, sempre me soou que o fazia mais por “tradição” de família do que por verdadeira devoção…
…também conheço aqueles de outro quadrante… os verdadeiros grunhos que não caçam praticamente nada mas sempre prontos para verter pura fanfarronice para quem tenha a paciência dos ouvir, fantasiam magnificas aventuras, com inúmeros troféus abatidos, quando no fundo regressam a casa de bornal vazio e ainda meio zonzos e a arrotar cervejas mornas…
…inevitavelmente, associado a um “bom” caçador existe, quase sempre, um “imenso” mentiroso… uma das tretas mais míticas das célebres “estórias de caçadores” que lembro até hoje, ouvia-a da boca de um tio-avô meu (que se enquadrava no meio-termo dos exemplos acima descritos)…    
…eu deveria ter uns 10 ou 11 anos talvez, agarrado a um Sumol de ananás, num qualquer Verão campestre, numa roda de familiares e amigos seus na esplanada de um café e recordo-me perfeitamente, do seu jeito à laia de bazófia, se vangloriar que uma vez quando “andava aos coelhos”, nuns campos à volta de Castelo Branco, ter deparado e, naturalmente, abatido heroicamente uma cobra que, pela descrição que alongadamente fez, seria uma anaconda da floresta amazónica… apesar de ser petiz, achei no mínimo estranho ele nunca ter exibido tal troféu lá por casa… e ouvindo tal patranha, encolhi mentalmente os ombros e fui jogar matraquilhos…
…igualmente os pescadores são pródigos em “esticar a realidade”… conheço também uns poucos assim… a maioria dos quais, a julgar pela interpretação das suas palavras, pescam robalos e safios do tamanho de tubarões brancos e, sozinhos numa tarde, tiram da agua mais pescado que uma traineira num dia de faina bastante proveitoso…
…ainda assim, a pesca à cana como actividade “recreativa” não me enoja como acontece com a caça…
…apenas acho que é… (como dizer…?) …tremendamente entediante, acho que é a expressão adequada…   
…e posso falar por experiência própria, porque mesmo que amigos meus me tivessem convidado diversas vezes para experimentar num fim-de-semana qualquer, a minha ideia de um dia de descanso nunca foi, como por vezes o faziam, levantar-me de madrugada e ficar quase um dia inteiro, horas infinitas, agarrado a um pau com uma linha atada à espera que um peixe morda o isco no anzol… são gostos, pronto, fazer o quê…?
…e, no entanto, uma vez por “acidente” até me acabei por me “achar” com uma cana de pesca na mão…e o mais incrível é que “pesquei” algo…rsrs…
…deveria eu ter uns vinte e poucos anos e fui com um amigo meu passar um outonal fim-de-semana alargado à linda vila de Cabeção, perto de Mora, terra-natal do seu pai…
…a noite anterior tinha sido passada (eu, esse meu amigo, o pai dele e mais uns amigos deste)“saltitando” de adega em adega, pequenos recantos de vivências partilhadas entre mais velhos e mais novos, refúgios onde se encontra (como noutros lugares e situações) a genuinidade e aquele sentir único, fraterno que o povo alentejano transmite… uma noite inteira a provar o vinho novo, néctar delicioso, feito em velhas talhas de barro, degustado sempre acompanhado dos providenciais queijo de ovelha curado, chouriça, presunto de porco preto, azeitonas, pão caseiro e migas … enfim, um paraíso para as papilas gustativas, entre conversas gostosas…   
…pela manhã (cedinho), amanhecendo o dia ameno para a época e com um céu límpido, alguém teve a louca ideia de ir pescar num pequeno curso de água, afluente da Ribeira da Raia… e ainda com as cabeças meio toldadas dos vapores etílicos, lá foi o pessoal todo, em dois carros, canas na bagageira…
…e foi então quando dei por mim de cana da mão, a colocar isco no anzol e a lançar desajeitadamente a linha à água, enquanto me escangalhava a rir…
…as margens estavam pejadas de lagostins de água-doce… ideia peregrina de alguém que lançou uma vintena deles numa qualquer ribeira das redondezas, provocando depois a sua multiplicação exponencial, de tal modo que, em dois ou três anos, se tornaram uma verdadeira praga, prejudicando muito os arrozais naquela zona…
…poucos minutos depois, fisguei um primeiro e único peixe da minha vida… uma perca, que é um peixe especialmente voraz, de tal modo que a minha vinha agarrada ao anzol de tal modo, que foi um cabo dos trabalhos para conseguir desenganchá-la…
…nem meia-hora mais tarde, regressámos a casa porque era dia de caça também (curiosamente), e bem perto, ali em redor, os estampidos dos tiros sucessivos das caçadeiras eram como gongos a martelar a cabeça de alguns de nós, especialmente do pai do meu amigo, que estava com uma ressaca tremenda…


JP ®